COMO O FEMINISMO GANHOU FORÇA NA MINHA VIDA.

Sim, sou feminista. Mas antes de mais nada preciso agradecer as três mulheres da minha vida que brilham sua luz, doa a quem doer e poderiam dominar o mundo. Sem elas, eu não seria metade do que sou hoje.
Já que sou uma completa desastrada, por anos não percebi os episódios patéticos de machismo e hoje tenho algumas cicatrizes, ainda que não tenha parado de viver.  Preciso agradecer, todos os dias, pois essa não é exatamente uma realidade para mim. Pelo menos não me percebia nessas situações, até o ultimo ano. De lá pra cá, principalmente quando comecei a criticar, a usar minha voz, a coisa toda apareceu, de uma forma bem sutil, e eu fiquei ainda mais querendo gritar pro mundo o quanto isso é errado, patético. O quanto precisamos e merecemos espaço. Ter que falar para alguém que você é gente como a gente, é desgastante, mas é preciso.
Lembro muito bem o primeiro episodio que me incomodou muito: estava na oitava série e para minha idade, tinha um corpo mais desenvolvido, isso é: seios maiores que as meninas da minha idade, eu sentava na frente da mesa da professora. As minhas amigas do colégio me alertaram: “os meninos estão indo tirar duvidas com a professora, para olharem seus peitos”, foi ai então que reparei em questão de 20 minutos, 5 garotos estavam cheios de duvidas. Fechei o casaco e acho que nunca mais abri, vale um detalhe aqui: usava uniforme, sem decote algum. O segundo episódio aconteceu no ano seguinte (tudo bem que eu não era uma boa aluna), mas a diretora chamou minha mãe, porque estava incomodada com a minha blusa, afinal, os homens tinham desejos e eu estava “despertando” o tesão nos caras. Com 15 anos eu não era dona do meu corpo e meus seios eram o troféu do demônio. Nunca mais usei decote (até ano passado).
Mas o divisor de águas (quando comecei a ficar de fato empoderada) aconteceu ano passado, na minha mudança para Campo Grande. Eu não me lembro de sair um dia na rua, sozinha (andar 5 quadras para ir ao mercado), sem ouvir um “gostosa” ou uma buzinada, ou uma encarada. Parece que vivi 30 anos de machismo em 5 meses longe de casa. Lá teve dois episódios que me marcaram muito, ambos com o mesmo contexto: No meio do meu exercício matinal, um deles: fui perseguida por um cara de carro, na volta para casa. O segundo deles, e acho que mais tenso: foi no meio da minha caminhada, um cara de moto parou no meio da rua e começava a me olhar, a cara dele me dava medo. E isso aconteceu por alguns dias. Depois disso, nunca mais corri sozinha.

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A gente fica indignada quando ouve as histórias por ai, mas quando sente o sentimento do abuso, da violência, da opressão, é quase como virar a chavinha! Ai meu amigo, o silêncio vira grito. Precisamos nos empoderar! Merecemos o direito pela nossa vida e nosso corpo.
Aos senhores donos do discurso “feminismo é mimimi” eu cheguei e se depender de mim, e desse blog, seus dias de intolerância estão contados.
E para finalizar gostaria de dizer que a partir de hoje qualquer história disposta aqui, terão seus personagens com nomes trocados (óbvio). Até breve!

Ps: Esse post é para informar que senti a necessidade de começar a falar sobre feminismo e que esse será um tema bastante abordado aqui no blog. E claro, convidar a todos a entrar nesse lindo universo paralelo (tão legal quanto unicórnios).
Se você tiver alguma história, conselho, pitaco ou qualquer coisa para compartilhar, por favor, não deixe para depois.

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10 coisas que eu fiz antes dos 30 anos e como me sinto sobre elas.

Minha lista de coisas para fazer antes 30 anos tinha um item: Descobrir o que quero fazer da vida (profissionalmente) e botar o plano em ação. Não cumpri, e me sinto um pouco ansiosa e frutada por chegar a essa idade começando do zero e sem nada. Mas como nem tudo são espinhos, experiências servem para muitas coisas e ao longo desses 30 anos, acumulei algumas… Separei 10 e contei como me sinto sobre elas, vem ver:

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1- Andar de ônibus.

Minha mãe já dizia, andar de ônibus forma carácter. Verdade ou não, a gente fica mais independente e mais agilizado. No começo onde era tudo novidade, era uma maravilha, mas depois foi ficando chato, claro que carro ajuda, mas andar de ônibus é um exercício para paciência, para diversidade, para gentileza. É quase um teste para você ser mais humano. Acho sim, que a gente quando usa ônibus fica menos “idiota”, e mais atento as coisas, a gente precisa andar de ônibus para conhecer o mundo com outro olhar.

2- Dormir em barraca.

Comecei a viajar com 15 anos, e a grana era bem miúda, a gente economizava onde por onde dava, mas era uma aventura. Bom, não posso negar, fui bem aventureira quando era mais nova, hoje estou um pouco mais fresca e com coluna doida (muito velha, né). O fato é: tudo que é novidade é bacana, então a gente se divertia. É uma boa experiência para se ter, várias vezes. A gente sempre conhecia muita gente quando ficava em barraca.

3- Olhar para dentro.

Isso foi uma das coisas mais dificeis de fazer e que mudou tudo. Na verdade é ainda um exercicio em desenvolvimento, mas por anos me ignorava e vivia de uma maneira bem pesada (uma vez fiz uma terapia corporal e levei um susto) como a gente ignorar as coisas e não olhar para dentro pesa. Vez ou outra ainda “compro briga” porque não realizo sonho dos outros. É um exercicio diário e cada vez mais me sinto feliz comigo mesma.

4- Me mudei de cidade (por 5 meses).

E quase deixei minha mãe de cabelos em pé. Sou muito impulsiva, embora não tenha sido uma decisão exatamente louca, também não foi nada planejada. Dei algumas semanas para minha mãe se acostumar com a ideia e fui para Campo Grande- MS. No fim das contas, não me adaptei, mas ficar longe das mulheres da minha vida, me fez crescer e muito.

5- Subir nas alturas.

Quando eu era pequena, era super aventureira, adorava um morro. Mas ai cresci e fiquei medrosa. Lembro que fiz o caminho do itupava (aqui no Paraná) e tive que lidar com muitos precipícios. Acho que foi ali que traumatizei. Teve outra vez que chorei para subir em uma pedra para ver o por do sol, do alto de um morro. Porque a pedra dava para outras pedras que dava pro mar, e ai… Se eu caisse, era o fim. Todas as vezes que enfrentei meu medo tive vistas incríveis e uma paz sensacional. Mas não é sempre que faço isso não. Admito, sou medrosa.

6- Fazer um diário da gratidão.

Comecei ano passado, e embora seja difícil manter a consistência, quando consigo me sinto mais leve e fica mais fácil de enfrentar as dificuldades e minha realidade.

7- Escrever uma carta para mim.

Ainda não abri, fiz uma para abrir em 5 anos, na é a melhor e a pior fase da minha vida. A melhor porque estou me conhecendo, finalmente e a pior porque estou tendo que começar tudo do zero, e quando eu digo tudo, é tudo mesmo.

8- Largar um emprego. (isso não é um incentivo)

Eu não sei se vocês sabem, mas não tenho um currículo de dar inveja (embora seja muito boa na minha área de formação e em tudo que eu coloco esforço), sempre quando um emprego já não me fazia bem, ou eu largava ele e já estava com outro em vista, ou fui demitida, mas nunca tive medo de largar ou ser largada de um emprego. Para mim, sempre foi algo que aconteceu e bora resolver o problema. O fato é que nunca levei muito desaforo para casa, sempre quando cheguei ao meu limite o mundo me ajudava de alguma forma.

9- Fazer exercícios (com consistência).

Quando me mudei para Campo Grande- Ms, foi a época que implementei o exercício na minha vida e de uma maneira ou de outra, essa foi uma ótima decisão, consegui controlar meu peso, meu corpo e minha mente mudaram. Quando a gente começa a fazer exercício parece que a vida fica outra (eu caminhava 1 hora por dia, isso é: 4km +/-). É clichê, mas é um dos melhores conselhos que alguém te da quando quer te ver pra frente.

10- Fazer mini reformas.

Quando eu digo mini reformas, é mini mesmo. Tipo mudar móveis de lugar, colocar uma planta no ambiente, fazer varal de fotos, mudar a cor da colcha. Quando fiz essas coisas, o ar do meu quarto mudou, me sentia muito no pinterest, embora não tivesse nem perto. O que vale é se sentir bem com a gente e com o ambiente que a gente vive.

E vocês, quais experiências te tornaram uma pessoa melhor e mais feliz?

 

DIZEM que sou mal educada. (mas nem me conhecem)

Dizem que sou mal educada, mas se você sentar comigo e me fizer 3 perguntas já estou contando a minha vida inteira para você (e sou curitibana) não sei se existe mas algum lugar no país que divide o pedestal de povo mal educado, mas sempre ouço esse mini discurso chato de que curitibano é mal educado. E eu – normalmente – não sou, assim como uma grande parte das pessoas que conheço.

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Quando casei e mudei de cidade, ouvi isso. E fui para uma cidade onde diziam que todo mundo era aberto, mentira descabida. Faz uma semana que terminei um curso (que durou duas semanas) e não me lembro se foi no primeiro ou no segundo dia que esse discurso apareceu na mesa. Travei. Ainda mais quando descobri que era a unica Curitibana de uma turma de 15 pessoas. Pronto, não sabia se abria aquele discurso de que você está muito enganado, existem pessoas legais e chatas em qualquer lugar do mundo, esse é mais um daqueles bordões que a sociedade implanta com base em algum caso mal sucedido ou ficava quieta. Optei pela segunda opção.
Não importa quem você seja nesse mundo, as pessoas sempre vão dar um jeito de te colocar em um patamar em que você não pertence e você pode simplesmente recusar aquele convite e a pessoa da sua vida, se você não for bem vindo em algum lugar (ou na vida de alguém) simplesmente siga em frente, mas nunca, nunca nessa vida duvide de você porque alguém te colocou em uma caixinha de rótulos. Não precisa gritar pro mundo, mas tenha isso muito certo no seu coração. E no meu caso, amo pessoas papear.

Não planeje sua vida como se planeja um prédio

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Sempre quando encontro meu pai ele me pergunta: ”E ai qual o plano para sua vida?” Eu sempre respondo ”deixa a vida me levar, vida leva eu”. Mentira, não respondo assim, porque não quero que ele tenha um ataque do coração (mas minha mente não tem papas na lingua). Nós somos dois extremos: Ele quer que eu planeje a vida como se planeja um prédio e eu sou impulsiva além da conta.
Não, pelo amor de deus, não seja tão louca que nem eu de deixar a vida te levar para onde ela quiser, o poder é seu. Mas também não seja tão presa a agenda a ponto de não poder respirar nos intervalos. A beleza da vida (também) acontece nesses intervalos, isso eu posso dizer com certeza.
Sempre quando pergunto a alguma amiga como ela está a resposta é sempre a mesma: Corrida! Bom pra começar preciso dizer que vida corrida não significa vida boa e feliz, necessariamente. Aliás como reclamam! Pra finalizar queria dizer as minhas amigas: se sua vida está corrida, você está cheia de novidades, então pelo amor de deus, compartilha! Vou amar saber e comemorar/chorar junto.
No meu caso: Estou bem e cada vez melhor, obrigada por perguntar.
Ps: Estou fazendo as metas e estabelecendo objetivos, mas tenho uma queda irresistível pelas brechas da minha agenda.

Ame a diversidade. Não se prive.

Esses dias estava conversando com uma amiga e mencionei que queria conhecer um bar. Ela me disse: vamos, mas tem outro melhor, esse lugar tem muita gente metida. Metida (caso alguém não saiba) no caso é sinônimo de ricos. Já estive em outra situação onde sugeri um restaurante para uma amiga e ela falou com todas as palavras: esse lugar é de rico. E não fomos.
O mundo é feito para nos unir, o mundo é de uma abundância sem tamanho para as pessoas não se acharem dignas de frequentar algum lugar porque existe gente metida, rica, pobre, branco ou negros.

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Nós somos uma população enorme e muito diversa, somos tão humanos quanto qualquer um nesse planeta, dinheiro não define carácter, dinheiro não pode definir os lugares que você frequenta. E depende de você, de nós, nos acharmos dignos para viver, para estarmos onde queremos estar sem pré julgar as pessoas. Gente ruim e metida tem em todo lugar, mas isso não pode ser bloqueio para vivermos experiências, que podem ser maravilhosas e você perdeu a oportunidade a toa. Abra a cabeça, se permita, viva!

Faça um escândalo.

Depois de 29 anos, comecei a presenciar quase todos os dias cenas absurdas de assédio. Nunca tinha me acontecido, até então me considerava sortuda por não ter passado por essas situações, mas tudo mudou a 4 meses: Casei e vim morar em Campo Grande, aqui é negócio é escroto mesmo, ao menos é o que parece. Não teve um dia que coloquei o pé pra fora de casa que não sofri um tipo de abuso: buzinadas, ´´cantadas´´ do nível daquela música deu onda (qualquer um consegue ver o absurdo que é aquela letra).

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Nós mulheres, todas vocês, mães, irmãs, primas, filhas, sobrinhas, não importa qual seu parentesco, mas nós precisamos fazer um escândalo, não importa o tamanho do abuso, a gente precisa abrir o berreiro, precisa lutar e EU NÃO ESTOU LOUCA, NEM PARANOICA, esses abusos são horríveis e me paralisaram, assim como acontece com muitas de nós.
Quando nós somos vitimas desses caras nojentos que acham que o cérebro fica no pau e perdem a noção do absurdo, nós precisamos fazer um chilique, precisamos fazer um barraco, movimentar a cidade inteira.
Eu fui seguida na rua duas vezes pelo mesmo cara, em dias diferentes, em um intervalo de semanas. Da primeira vez eu estava caminhando na praça aqui do lado da minha casa, ou seja, estava me exercitando ao ar livre, e esse cara deu a volta na quadra e voltou 3 vezes, todas as vezes me encarando de um jeito muito nojento.
Da segunda vez eu fui seguida indo a papelaria em uma rua movimentada, quando estava parando na esquina para atravessar, esse cara virou com sua moto vermelha quase me derrubando na rua e ficou olhando para trás, continuei meu caminho e quando vi esse cara tinha voltado e não sei como não deu de cara do poste porque virava a cabeça para ficar me encarando e isso se repetiu por mais 3 vezes, até que encontrei uma papelaria e consegui me livrar desse escroto. Essa foi a pior situação que tive que passar.
Eu travei, meu único pensamento era (sempre é) como ia me proteger para não ser estuprada, como vou poder sair na rua porque preciso para dar andamento na vida e não tenho guarda costas, por isso o povo todo que tenha sensibilidade e noção do absurdo não deixe que isso prossiga faça sua parte, faça um escândalo em casa, nos hits, com irmãos, pais, tios, primos, oriente, lute, nos ajude, se ajude. Não deixe as brechas quietas.

Seja diferente, seja tolerante.

Acho que mais que discutir posição politica e como o mundo pode ir pra frente, precisamos urgentemente discutir como é viver em sociedade, porque esse é um conceito que parece estar distante.
O mundo tem 7 bilhões de pessoas, ou seja, você pode não gostar de todo mundo nem de todas idéias, MAS VOCÊ PRECISA OBRIGATORIAMENTE RESPEITAR. Respeito é a base da boa convivência. Sei que da raiva, arranca as veias da garganta, mas você tem um cérebro ai amigão, coloca pra funcionar. O mundo não vai ficar melhor se você eliminar todos os diferentes. O mundo só fica melhor quando temos tolerância, flexibilidade, empatia.
Antes de espalhar aos quatro ventos que você está certo aprenda, leia, temos veículos maravilhosos, nunca se teve tanta informação quanto hoje. Leia, aprenda, seja curioso, critique e por fim forme sua opinião.
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Tome cuidado com os discursos, eles são perigosos.
Te põe em um patamar onde você acha que é melhor que alguém, que sua ideia salvará o mundo, não é bem assim. Primeiro que ninguém vai salvar o mundo, já basta cada um ser o melhor que pode ser, com empatia e respeito, o mundo já fica muito melhor. Cada um tem uma história, as vezes mais sofrida, as vezes mais tranquila, mas ninguém nesse mundo é pior ou melhor que você, somos apenas pessoas diferentes. Você não é um cidadão de bem, porque não é melhor que ninguém. Presta atenção, todo mundo tem defeitos, todo mundo precisa evoluir, todo mundo precisa e merece respeito. Compartilhe as idéias que quiser, com muita tolerância e flexibilidade, e se alguém não concordar, tá tudo bem. O mundo não gira em torno do seu umbigo, desce do pedestal.
Vamos trabalhar nossos corações, nossas mentes e nossas atitudes, vamos nos repeitar mais, ser mais empáticos espalhar amor, para ai sim sermos diferentes e boas pessoas. 
Beijinhos.